O que é uma revisão pós-ação?
A revisão pós-ação (AAR, do inglês after action review) é um debrief curto e estruturado, baseado em quatro perguntas: o que esperávamos que acontecesse, o que realmente aconteceu, por que houve diferença e o que vamos manter ou mudar na próxima vez. O Exército dos EUA a transformou em prática padrão, e desde então hospitais, serviços de emergência e empresas passaram a usá-la, porque ela serve para qualquer equipe que acabou de concluir algo e quer aprender com isso enquanto os detalhes ainda estão frescos. É mais leve que um post-mortem completo, e não é preciso que algo tenha dado errado. Veja como funciona no TeamRetro. Primeiro, cada pessoa registra suas observações de forma privada, para que a pessoa mais sênior da sala não defina a narrativa antes que os outros tenham escrito uma palavra. Depois, as ideias são agrupadas, discutidas e votadas, o que mantém a sessão focada nas lacunas que importam, e não em cada detalhe do dia. A última pergunta transforma a discussão em lições aprendidas, e as ações combinadas recebem um responsável e um prazo, para que voltem à pauta na próxima sessão. Use depois de um lançamento, um evento, uma apresentação para cliente, um turno movimentado, um exercício de treinamento ou uma sprint que não saiu como planejado. Seja breve: a maioria das equipes termina em 30 a 45 minutos. Exporte o relatório ao final, para que as lições continuem fáceis de encontrar pela próxima equipe que passar pela mesma situação.
Formato da revisão pós-ação
O que esperávamos que acontecesse?
Qual era o plano, a meta e o padrão que buscávamos?
Comece pelo plano, não pelo resultado. Pergunte qual era a meta, como seria o sucesso e qual padrão a equipe estava seguindo. Mantenha a conversa nos fatos e deixe os julgamentos para as próximas perguntas. Se as pessoas se lembram do plano de formas diferentes, registre cada versão: um plano que não foi compartilhado costuma ser a primeira lição da sessão.
O que realmente aconteceu?
O que aconteceu de fato, passo a passo, na visão de cada um?
Construa um relato compartilhado dos acontecimentos antes que alguém tente explicá-los. Cada pessoa viu uma parte diferente do trabalho, então pergunte o que ela viu e quando, não o que ela acha que causou aquilo. Se a ordem dos eventos for importante, cheguem a um acordo sobre ela. Se a busca por culpados começar a aparecer, leve a conversa para a próxima pergunta.
Por que houve diferença?
O que explica a distância entre plano e realidade, para o bem ou para o mal?
É aqui que está o aprendizado. Olhe para as diferenças nos dois sentidos: quando algo saiu melhor que o planejado, pergunte o porquê também, para poder repetir. Continue perguntando por quê até chegar a uma condição que a equipe consiga mudar, como uma etapa que faltou, uma premissa não testada ou um responsável indefinido, e não a uma pessoa para culpar. Use a votação para escolher as duas ou três diferenças que mais merecem discussão.
O que vamos manter ou mudar?
Quais lições aprendidas vamos levar para a próxima vez?
Transforme cada diferença em uma lição que alguém de fora da sala possa usar: uma etapa a incluir, uma verificação a fazer, um hábito a manter. Separe o que a equipe pode mudar sozinha do que depende da ajuda de outras pessoas. Depois, combinem um número pequeno de ações, cada uma com responsável e prazo registrados no TeamRetro, para que voltem à pauta na próxima sessão. Duas ou três ações com responsável valem mais que uma lista longa que ninguém acompanha.
Quando utilizar esta análise retrospectiva
- Um lançamento, evento, campanha ou apresentação acabou de terminar e você quer comparar o plano com o que aconteceu enquanto tudo ainda está fresco
- Algo saiu melhor que o esperado e você quer saber por quê, para repetir de propósito
- Um turno, exercício ou período movimentado não saiu como planejado e você precisa de um debrief curto e sem culpados, não de uma investigação completa
- Sua equipe faz o mesmo tipo de trabalho com frequência, como releases, onboarding ou entregas para clientes, e você quer que cada um deixe aprendizados para o próximo
- Você quer um debrief que caiba em 30 a 45 minutos, em vez de um post-mortem de meio dia
Perguntas sugeridas para quebra-gelo
- Em uma palavra, como foi em comparação com o que você esperava?
- Qual momento deste trabalho você vai guardar na memória?
Quer um exercício de aquecimento que sua equipe faça, e não apenas responda em voz alta? Veja quebra-gelos gratuitos →
Ideias e dicas para sua reunião de retrospectiva
- Faça a revisão em até um ou dois dias. A revisão pós-ação funciona porque registra os detalhes antes que as pessoas os esqueçam ou os recontem do seu jeito
- Diga a regra básica em voz alta: vocês estão revisando o plano e o trabalho, não avaliando pessoas. Peça à pessoa mais sênior que fale por último
- Dê tempo de verdade à primeira pergunta. Se a equipe não consegue concordar sobre o que deveria ter acontecido, isso por si só já é uma descoberta
- Olhe para o que saiu melhor que o planejado, e não só para o que saiu pior. Uma vitória que você não consegue explicar é difícil de repetir
- Mantenha as revisões curtas e frequentes. Várias revisões pequenas depois do trabalho de rotina ensinam mais que uma grande revisão por ano
- Abra cada revisão verificando as ações da anterior. Saber que elas serão cobradas é o que faz com que sejam feitas