Planejamento de velocidade e capacidade
Velocidade e capacidade não são o mesmo valor. Uma é o que você já concluiu no passado; a outra é o tempo que você realmente tem para este sprint. Planeje com base em ambas — e a mais modesta prevalece.
Velocidade e capacidade são os dois números que garantem a credibilidade de um sprint — e as equipes que confundem esses dois conceitos acabam assumindo compromissos excessivos, sprint após sprint. Velocidade é a quantidade de trabalho que você historicamente concluiu por sprint. Capacidade é quanto tempo você realmente tem neste sprint. Elas respondem a perguntas diferentes e, quando discordam, o valor menor geralmente está certo.
A distinção que passa despercebida
A velocidade é um indicador retrospectivo: calcule a média dos story points que sua equipe concluiu nos últimos sprints e você terá uma expectativa razoável para um sprint normal. Isso suaviza as variações de um único sprint, transformando-as em uma linha de base para o planejamento.
A capacidade é uma perspectiva voltada para o futuro e específica para o sprint que você tem pela frente. Dois desenvolvedores de licença, um feriado, uma semana com muitos plantões, a reunião geral na quinta-feira — nada disso aparece na sua média de velocidade, mas tudo isso acaba prejudicando o sprint que você está prestes a planejar.
Portanto, a velocidade indica como é um sprint típico. A capacidade indica se este sprint é típico. Se você se basear apenas na velocidade, todo sprint encurtado por feriados ou com muitas ausências vai dar errado. Se você se basear apenas na capacidade, perderá a calibração que evita que você sobrecarregue ou subutilize excessivamente um sprint normal. Você precisa das duas, e quando elas entrarem em conflito, confie na capacidade — ela sabe algo que a média não sabe.
Cálculo de capacidade em que você pode confiar
A capacidade é uma simples questão de aritmética que as equipes costumam errar por serem otimistas. Comece com um valor alto e faça as subtrações com honestidade:
- Dias úteis no sprint × número de pessoas. Seu valor bruto inicial.
- Subtrair o tempo de ausência planejado — licenças, feriados, horários de meio período.
- Subtraia os compromissos fixos — as próprias cerimônias, reuniões recorrentes, encontros individuais.
- Subtraia a carga de suporte e interrupções — plantão, problemas de produção, “perguntas rápidas” que nunca são rápidas. Se você tiver um sistema de rodízio de suporte, essa pessoa não estará disponível para o trabalho do sprint; portanto, não a inclua na contagem.
- Mantenha uma margem para imprevistos. Sempre surge alguma coisa. Uma equipe que planeja utilizar 100% do tempo restante já está fadada ao fracasso assim que a realidade se impõe.
O que resta é a capacidade. O erro mais comum é pular as etapas 4 e 5 — o custo das interrupções é real, e um sprint planejado como se isso não fosse acontecer é um sprint planejado para uma equipe que não existe.
O Velocity é uma ferramenta de planejamento, não um quadro de resultados
É nesse ponto que a velocidade perde o sentido. A velocidade serve exatamente a um único propósito: ajudar uma única equipe a prever seus próprios sprints futuros. No momento em que se torna uma meta a ser alcançada ou um parâmetro para comparar equipes, ela deixa de medir qualquer coisa — porque a maneira mais fácil de aumentar sua velocidade é inflar suas estimativas, e todo mundo faz isso discretamente.
Os pontos de história são relativos à percepção compartilhada de tamanho de uma equipe. Eles não são transferíveis. O 8 da Equipe A não é o 8 da Equipe B; portanto, “a Equipe A fez 60 pontos e a Equipe B fez 40” é uma comparação entre duas réguas diferentes. A velocidade é uma ferramenta de planejamento, não um placar — respeite esse limite e ela continuará sendo útil.
Para saber como a velocidade é realmente calculada, quantos sprints devem ser considerados na média e como lidar com uma equipe totalmente nova, sem histórico, consulte o capítulo sobre velocidade no guia de estimativa — ele aborda os mecanismos em profundidade, para que este capítulo possa se concentrar no planejamento. E se as estimativas que alimentam sua velocidade forem instáveis, esse é um problema de estimativa a ser resolvido no refinamento, não no planejamento.
Colocando ambos em prática no planejamento
Na reunião, os dois números desempenham papéis distintos. A capacidade define o limite máximo: selecione tarefas até que o total estimado atinja sua capacidade calculada para este sprint e, então, pare. A velocidade serve como verificação de plausibilidade: se sua seleção baseada na capacidade estiver muito acima ou abaixo da sua velocidade normal, algo está errado — seja o cálculo da capacidade ou suas estimativas — e vale a pena dar uma segunda olhada antes de se comprometer.
Na prática: calcule primeiro a capacidade, use-a como limite rígido durante selection e dê uma olhada na velocidade para verificar se o resultado não é surpreendente. Quando a capacidade e a velocidade não coincidirem — seja porque o sprint está com falta de pessoal ou foi encurtado por causa de feriados —, opte pelo número menor e siga em frente. Comprometer-se com menos do que é possível custa um pouco de Slack; comprometer-se com mais do que é possível custa a meta do sprint.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre velocidade e capacidade?
A velocidade é a quantidade de trabalho que uma equipe historicamente concluiu por sprint, medida em pontos de história — uma média retrospectiva. A capacidade é o tempo que a equipe realmente tem neste sprint, após férias, reuniões e carga de suporte. A velocidade indica como é um sprint normal; a capacidade indica se este sprint está dentro do normal. Você precisa das duas.
Como se calcula a capacidade da equipe para um sprint?
Comece com os dias úteis do sprint, multiplique pelo número de pessoas e, em seguida, subtraia as deduções reais: férias programadas, feriados, reuniões e cerimônias de rotina, turnos de suporte ou plantão e uma margem de segurança para imprevistos. O que resta é a capacidade. A maioria das equipes superestima esse valor ao esquecer o “custo das interrupções”.
Você deve planejar a toda velocidade?
Não. A velocidade é uma média; portanto, planejar com base nela significa, por definição, assumir compromissos excessivos na metade das vezes. Planeje de acordo com sua capacidade para este sprint específico, verificando se ela está alinhada com a velocidade. Quando os dois valores divergirem — por exemplo, em um sprint encurtado por feriados —, confie na capacidade e opte pelo número menor.
A velocidade é uma medida de produtividade?
Não, e tratá-la como tal acaba com ela. A Velocity é uma ferramenta de planejamento para as próprias previsões de uma equipe. No momento em que se torna uma meta ou uma comparação entre equipes, as equipes exageram nas estimativas e o número deixa de ter qualquer valor. Os pontos não são transferíveis entre equipes.